Exportar com Diferenciação

Montadoras se voltam aos compactos
No que se refere às exportações, o Brasil perde tempo. A consultoria internacional Roland Berger publicou recentemente estudo aprofundado sobre o mercado global de veículos supercompactos e compactos (segmentos A e B), cujo resultado mostrou que até 2012 haverá cerca de 18 milhões de carros. O que abre portas para os veículos de baixo custo – de US$ 7 mil a US$ 10 mil. Entre os principais futuros consumidores estão os norte-americanos que, segundo o estudo, têm potencial para consumir 3 milhões de unidades até 2013.

Para um dos sócios-diretores da Roland Berger na América do Norte, Wim van Acker, o Brasil é um País com representação forte em carro de baixo custo, mas precisa explorar melhor outros mercados. “Por que ficar com 600 mil unidades por ano para exportar? É muito esquisito quando todo mundo fala sobre Coréia, Índia e China, sendo que o Brasil já provou sua capacidade”, destaca Acker.

Segundo o consultor, a indústria nacional tem muitas vantagens sobre os concorrentes emergentes como pertencer à engenharia global, segmento de autopeças desenvolvido – superior a da China – e ter a confiança do mercado externo, já que faz parte das montadoras internacionais.

Acker chama a atenção para o mercado dos Estados Unidos. Segundo ele, a falta de transporte público naquele país e a necessidade de baixar as despesas com mobilidade forçam os consumidores com menor renda a buscar carros mais baratos. Para ele, a demanda pelos produtos de menor valor está latente porque não há oferta.

“Os norte-americanos exigem carros com maior qualidade, mas o consumo de veículos chineses e indianos começou a aumentar. Essa é a oportunidade da indústria brasileira, que já está nos Estados Unidos por meio de suas matrizes”, observa. Outro aspecto que o consultor destaca é a questão da renda. “O pobre de lá é rico aqui, ou seja, o preço do carro com baixo custo nos países desenvolvidos é diferente”, ressalta.

Assim, os chamados carros ultrabaratos seriam voltados para mercados emergentes. Neste caso Acker destaca como potencial comprador os países do norte da África, como a Nigéria, pois são apoiados nos rendimentos provenientes do petróleo e têm grande população.

“Eles estão adaptados aos carros europeus, que possuem os mesmo conceitos dos carros brasileiros, o que traz vantagem comercial ao Brasil”, observa.

País sofre com falta de incentivos e concorrência mundial

Para o consultor da Roland Berger, a falha do Brasil está na falta de uma política consistente de exportação. Nessa área, China e Índia possuem fortes projetos. “O governo brasileiro tem que cooperar com a indústria, para competir no mercado global e não deixar que os chineses e indianos dominem esse mercado”, afirma.

A cooperação a que Acker faz referência não é a mudança da política cambial, estratégia inclusive já descartada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O câmbio dificulta as exportações. Entretanto, os altos impostos e os elevados custos dos portos agregam prejuízos maiores. “O Brasil tem que resolver esses problemas como a Índia, a China e o Leste Europeu resolveram”, afirma o sócio-diretor da Roland Berger.

Wim van Acker chama atenção ainda para a falta de investimentos do governo em trabalhos a favor da imagem do País, ou seja, falta marketing. “Apesar das potencialidades do Brasil, ninguém sabe exatamente o que é o Brasil. Eu conheço porque morei no País”, afirma.

Para os analistas da Roland Berger, a chave para o sucesso no mercado de baixo custo é a combinação de car, care and core, ou seja, o desenvolvimento de um carro barato, com arquitetura global e design moderno, aliado a serviços como manutenção, seguro e financeiro, e à força da marca.

“Para quem compra um carro de entrada, o investimento tem um peso muito alto. Por isso, o prestígio da marca é extremamente importante”, acrescenta Wim van Acker.

Como exemplo, a consultoria destaca o modelo Logan, da Renault, que foi desenvolvido sobre o conceito de plataforma global compacta. O modelo chega ao mercado brasileiro em junho. (Diário do Grande ABC/Priscila Dal Poggetto)


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